CÍRCULO MONÁRQUICO DE CURVELO


Luiz Cláudio

José Emílio Ferreira Soares

Luiz Cláudio de Castro, nascido em Curvelo, foi um dos cantores mais talentosos que já conheci, de voz suave e aveludada. Desde criança, na Curvelo de ruas poeirentas dos anos 40, convivi com sua família, sendo seus pais o farmacêutico José de Castro e Dona Amélia, professora e diretora do Grupo Escolar Monsenhor Rolim.

No período em que aqui morou, gozou de grande amizade com os rapazes de sua época. Aqui ele começou a desenvolver seus pendores artísticos, não só como cantor, compositor e violonista, como também desenhista e pintor. A lápis crayon, ele fez o retrato do escritor Euclides da Cunha, autor de Os Sertões, que era patrono do Grêmio Literário do Ginásio Padre Curvelo, onde estudava.

Nessa década, eu morava na rua Silveira Lobo, onde, certa manhã, deparei com ele de prancheta nas mãos, retratando o contorno da rua com suas casas, pegando, lá no alto, parte da Matriz de Santo Antônio com suas torres.

Era um artista polivalente. Como cantor, ele e alguns companheiros curvelanos, criaram o conjunto musical Os Três Luízes, formado por Luiz Cláudio, Luiz Carlos Santana e Washington Luiz. Faziam apresentações nas casas e nas festas, animando a vida social da Curvelo daquele tempo. Chegaram até a gravar um disco, que fez muito sucesso.

De Curvelo, Luiz Cláudio partiu para Belo Horizonte,  mudando-se depois para o Rio de Janeiro, onde se projetou na vida artística e profissional. Ao lado de seus irmãos, o músico e arranjador Marcos de Castro, e de Antônio Maurício de Castro, fez parceria com o músico Pacífico Mascarenhas, compondo lindas modinhas.  Luiz Cláudio, este curvelano de talento extraordinário, musicou  letras de Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa. Também interpretou canções de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Toquinho, Caetano Veloso e muitos outros compositores brasileiros de renome internacional.

Suas canções traduziam as emoções do sertão curvelano, quando nelas recordava-se da tradicional poeira de nossas ruas naquela época, referindo-se também ao Tibira, Tibirinha, Passaginha, Cacimbinha e outros lugares, que a memória saudosista luta para alcançar. É o passado, que emerge das entranhas do presente.

Mais tarde, no Rio, Luiz Cláudio formou-se em arquitetura. Como artista que era na pintura, ele mesmo ilustrou a capa de seus discos e álbuns musicais. Também empreendeu uma longa turnê pelo exterior, apresentando sua música com sucesso.  Também participou de um filme, em parceria com a famosa cantora da época, Ângela Maria.

Em 1972, quando Dr. Márcio de Carvalho Lopes era prefeito de Curvelo, a TV Itacolomi lançou uma gincana com o título Mineiros Frente a Frente. Curvelo entrou na disputa e  Luiz Cláudio foi solicitado para defender sua terra, em um dos quadros apresentados. Ele e seu irmão, Marcos de Castro, compareceram em Belo Horizonte e deram o maior show. Foi um sucesso. Curvelo liderou mais uma etapa, vencendo todos os  quesitos até o final.

Não faz muito tempo, conversei com Luiz Cláudio por telefone. Ele já estava residindo em Guaratinguetá, SP, onde faleceu em 2013. Às vezes, fico matutando e chego a procurar uma resposta em João Guimarães Rosa. Na sua obra Grande Sertão Veredas, ele diz: “A gente não morre, fica encantado”. De fato, Luiz Cláudio de Castro não morreu. Ficou encantado. E assim, haveremos de ficar todos nós um dia!                            

                                 

                                                                                                     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                        

 

 

 

 

 

 



Escrito por Curvelo Imperial às 15h17
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