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Graciliano Ramos
Graciliano Ramos
José Emílio Ferreira Soares/Curvelo/MG
O Brasil inteiro reverencia a memória do alagoano Graciliano Ramos. Como escritor, foi notável. Os personagens por ele criados, passaram da ficção à realidade: partiram das palavras, caminharam por sobre os livros e mergulharam no quotidiano da vida. De reação extremamente psicológica, eles dão ao leitor a visão de um Brasil cheio de contrastes, apresentando o submundo de um país tão rico. Quem vê, no "Vidas Secas", Fabiano, Sinhá Vitória, os dois meninos e o sofrimento da cachorra Baleia, humanizada na alucinação de sua fome, delirante, ao enxergar gordos preás à sua frente, começa a se perguntar: isto é ficção ou realidade? Sim, é alguma coisa que se mistura, que transcende o espírito humano. O Velho Graça, que foi prefeito de Palmeira dos Índios, em seu Estado, teve a vida marcada por perseguições políticas, chegando a ser encarcerado nos porões da ditadura Vargas, onde escreveu "Memórias do Cárcere". A república fascista do Estado Novo o puniu, por ser coerente com sua ideologia. Realmente, Graciliano Ramos foi, e será sempre, um exemplo de dignidade.
Estado de Minas
13/11/1992
Cartas à Redação
Escrito por Curvelo Imperial às 09h02
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Pasteur
Pasteur
José Emílio Ferreira Soares/Curvelo/MG
Fundador da microbiologia, o químico francês, Louis Pasteur, foi, sem dúvida, um dos cientistas mais famosos do mundo. Sua contribuição para o desenvolvimento científico, trouxe extraordinário beneficio a toda a humanidade. Atuando em diversos ramos da pesquisa macrobiótica, conseguiu erradicar a doença que devastava o bicho-da-seda, descobrindo o conseqüente meio para evitá-la. As vacinas contra o antraz e o cólera aviário trouxeram incalculáveis benefícios aos produtores rurais, contribuindo para que eles economizassem o equivalente à soma das indenizações que a França obrigou-se a pagar à Alemanha, na Guerra de 1870. Em diversos segmentos da ciência, encontra-se a sua presença, como, por exemplo, na pasteurização do leite, palavra que provém do seu nome. Depois de um acidente vascular cerebral aos 59 anos, Pasteur ainda realizou um dos maiores trabalhos de sua vida: a pesquisa sobre a raiva, que o tornou conhecido em toda a França, mais do que Carlos Magno ou Napoleão Bonaparte. Pasteur tinha íntima ligação com o Brasil, pois era grande admirador de Dom Pedro II, que sempre o prestigiou. Certa ocasião, quando o imperador encontrava-se na Academia de Ciências de Paris, para ouvir de Pasteur sua exposição sobre o resultado de suas pesquisas, o cientista virou-se para S. Majestade e disse: "nosso augusto colega, Dom Pedro de Alcântara, como todos sabem, gosta de esconder seu cetro imperial sob as condecorações acadêmicas que recebe do mundo inteiro". De fato, Pasteur é um ícone da microbiologia, cujo talento é reverenciado por todo o mundo científico.
Estado de Minas
30/12/1995
Cartas à Redação
Escrito por Curvelo Imperial às 08h57
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