José Emílio Ferreira Soares/Curvelo/MG
Considerado pela crítica, um dos maiores escritores do século XIX, Eça de Queirós encontra-se ao lado de Balzac, Flaubert, Dickens, Dostoiévski e Tolstói, monstros sagrados da literatura universal. Quem lê Eça, depara com o seu indiscutível talento de cronista da vida social portuguesa daquela época, ao realçar, de modo admirável, as reações psicológicas de seu povo. Realista ou naturalista, o escritor aprofundou-se na intimidade da alma lusitana, revelando a hipocrisia, sob a aparência de sinceridade, que dominava a sociedade portuguesa. Na viagem que o escritor faz através de sua fecunda produção literária, passa a encontrar-se e a conversar com seus personagens, entre eles Affonso da Maia, Gonçalo Mendes Ramires, Basílio, Jacinto de Tormes e tantos outros que povoam aquele universo, onde ficção e realidade se confundem. Ao abrirmos seus livros, os personagens começam a brotar das palavras, tomar forma, caminhar sobre suas páginas, dentro de um cenário onde se percebe o sutil jogo das mulheres ao trair seus
maridos. Dotado de espírito crítico, Eça apresentou na sua fecunda obra a radiografia da sociedade de seu tempo. Assim também o fez seu contemporâneo Machado de Assis, com a sociedade carioca da sua época. De fato, é difícil fazer um diagnóstico da grandiosidade de seus romances, pois eles enfocam as mais diversas reações psico-sociais de uma tradicional nação. Nascido em Póvoa de Varzim, em 1845, José Maria d`Eça de Queirós, apesar de viver a maior parte de sua vida, como diplomata, fora de Portugal, foi o mais autêntico analista da lusitana sociedade de seu tempo.
Estado de Minas
22/12/1995
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